Sexualidade um desafio para os Líderes das Igrejas!

Débora Fonseca e Cunha, 52 anos é psicoterapeuta, escritora,casada e mãe de 2 filhos.
Fala da sua experiência com um assunto tão polêmico que afeta a igreja.


1) Fale um pouco da sua profissão, área de atuação?
Sou formada em Direito. Trabalhei 15 anos como advogada. Depois, por conta da formação em psicologia, passei a atuar como conselheira e psicoterapeuta. Atualmente atuo fazendo palestras sobre identidade, família e relacionamentos em igrejas. Sou escritora também. Tenho livros publicados e escrevo como articulista de uma Revista do Estado do ES., a Comunhão.


2) A igreja tem tido vários desafios, um deles é a Homossexualidade. Como você vê esse assunto?
Ainda é um tabu tratar de qualquer tema envolvendo sexualidade nas igrejas. Existe muita diferença entre uma denominação e outra nas formas de compreensão. Algumas entendem como demonização, outras como safadeza, outras que se falarmos do assunto contribuiremos para ele ser estimulado nas mentes incautas e há aqueles ainda que partem numa verdadeira caça às bruxas procurando os culpados. Há desafios também na forma de ajudar, pois alguns concebem a possibilidade de ajuda com a bíblia e outras ferramentas que não a contradiga (eu me filio nessa corrente por exemplo), outros, excluem essas ferramentas que são as ciências humanas, (sociologia, antropologia, filosofia, psicologia, etc.), e compreendem por lidar exclusivamente com a Palavra, enfim, talvez o maior desafio nessa e em qualquer outra temática da ordem da sexualidade, seja a igreja compreender que embora não sejamos desse reino, sofremos o efeito da queda em todas as dimensões da existência e que sim, famílias cristãs podem ter filhos e filhas com atrações homossexuais. Esse é um fato. O outro fato é que a igreja, por ser formada de famílias, pode ter membros que lutam com atrações homossexuais. Assim sendo, precisamos superar as barreiras entre nós a fim de trabalharmos com prevenção e enfrentamento, usando com sabedoria toda e qualquer ferramenta que abençoe e não contradiga a Palavra de Deus, entendendo que quando lidamos com sexualidade e suas vertentes estamos lidando com o comportamento humano afetado pela queda e que carece de redenção. Todos nós fomos afetados pela queda e carecemos de redenção nessa ou em qualquer outra área da nossa vida e isso não nos torna melhor ou pior do que ninguém. Somos todos carece dores de Jesus.


3) Você acha que os dirigentes das igrejas estão preparados para lidar com isso ?
Acho que já houve uma melhora muito grande. Em 2001 quando comecei a trabalhar com o tema, pioneiramos aqui em Vitória no ES. Vinham pessoas de outros estados aprenderem nos seminários sobre sexualidade que fazíamos em nossa igreja local. Com o passar do tempo multiplicaram-se as escolas de sexualidade, seminários, líderes e ministérios nesta região abençoando todo o país. Existem muitos líderes que foram influenciados com essas informações e tem procurado trabalhar de modo sério e respeitoso em suas igrejas. Mas existem muitos outros que não. Fecham os olhos. São indiferentes ou excludentes. E o rebanho segue a mesma linha. É lamentável.


4) Muitos pais evangélicos, estão sofrendo por terem seus filhos nessa condição? O que você pode dizer para esses pais?
Para não desistirem dos seus filhos. Que eles continuam sendo seus filhos. E que seu amor incondicional fará toda a diferença na vida deles. Amar incondicionalmente alguém é uma das coisas mais desafiadoras que existe, principalmente quando estamos sendo envergonhados, porém, é o que a passagem do filho pródigo nos ensina. O filho pródigo não volta para casa por conta do irmão mais velho. Ele volta pelo Pai que ele tem em casa e que o espera e o abraça carinhosamente. O filho pródigo não era o filho ideal daquele Pai, mas mesmo assim Ele seguiu amando-o e esse amor contribuiu para que ele caísse em si e fizesse o caminho de volta.